Contos da Akasha

Nunca podemos julgar a vida dos outros, por que cada um sabe de sua própria dor e rénuncia. Uma coisa é você achar que está no caminho certo..... Outra é você achar que o seu caminho é o único...

Terça-feira, Fevereiro 14, 2006

Praia Mole - Florianopolis

Vai, minha tristeza
E diz a ela Que sem ela não pode ser Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não possso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de min
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertados assim, colados assim, calados assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Não quero mais esse negócio
De você viver assim.
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim

Quarta-feira, Julho 06, 2005

Será só eu, ou o mundo também está sem paciência???

Estamos vivendo um crescente paradoxo: a vida moderna, com seus meios de comunicação cada vez mais velozes, vem nos requisitando ter mais e mais paciência.
Se pensamos estar ganhando tempo ao aplicar a tecnologia moderna ao nosso cotidiano, é melhor reconhecermos que desta forma temos perdido a habilidade de lidar com nosso tempo interno: estamos cada vez mais impacientes. Queremos que nosso mundo interno, nossas emoções, sentimentos e percepções, fluam com a mesma velocidade máxima da internet... (claro que em outro computador, por que o meu é bahiano).
Como não toleramos esperar o tempo natural do amadurecimento de nossas emoções, sofremos a dor da impaciência: semelhante a uma queimadura interna, ardemos de ansiedade!
Intuitivamente, sabemos que algo não vai bem, mas como temos a urgência de nos livrarmos da pressa interna cada vez mais estimulada pela aceleração dos acontecimentos, não temos mais tempo para sentir, compreender e transformar nossas emoções. Sofremos um grande dilema: cada vez que produzimos mais no mundo externo, criamos menos no mundo interno.
Podemos estar ganhando mais tempo e espaço à nossa volta, mas temos de admitir que estamos perdendo a habilidade de lidar com nosso tempo e espaço internos.
Paradoxo é uma contradição, algo que ocorre ao contrário do esperado. Todos nós, com a inocente esperança de viver melhor, assumimos mais compromissos do que podemos e depois nos surpreendemos com problemas mais sérios e inesperados do que imaginávamos enfrentar. Quando as coisas não funcionam de acordo com as nossas expectativas, temos cada vez menos paciência, nos tornamos mais rígidos e cansados.
Por que continuamos nesta roda viva se já temos consciência de suas conseqüências?
Acredito que parte de nossa confusão interna está no fato de que compreendemos erroneamente a virtude da paciência. Por ignorância, insistimos num esforço insensato. Por exemplo, quem já não confundiu a experiência de achar que estava tendo paciência quando na realidade estava engolindo sapos?
Enquanto confundirmos autocontrole com a capacidade de reprimir nossos sentimentos, no lugar de conhecê-los, estaremos correndo o risco de tolerar o que não é para ser tolerado! Em certas situações adversas, podemos pensar que estamos tendo paciência, quando, na verdade, estamos apenas nos sobrecarregando. Suportamos o sofrimento externo às custas de muito sofrimento interno.
Ser paciente não significa sobrecarregar-se de sofrimento interno, nem estar vulnerável ou ser permissivo com relação às condições externas.
Ter paciência não é ser uma vítima passiva da desorganização alheia.
Não é útil, por exemplo, ter paciência em uma situação em que se esteja sendo explorado.
Segundo a psicologia do budismo tibetano, ter paciência é a força interior de não se deixar levar pela negatividade. Ter paciência é escolher manter a clareza emocional quando o outro já a perdeu. Neste sentido, ter paciência é decidir manter sua mente limpa, livre da contaminação da raiva e do apego.
No entanto, não basta termos uma intenção clara quanto a nossas escolhas, é preciso desenvolver a força interior para sustentá-las. Neste sentido, não basta compreender racionalmente o que é ter paciência, é preciso cultivá-la interiormente. Temos de admitir que o tempo de que precisamos para amadurecer uma compreensão emocional é muito maior do que aquele de que necessitamos para sua compreensão racional.
Segundo o budismo tibetano, há três tipos de paciência:
1. Não se aborrecer com os prejuízos infligidos pelas outras pessoas, isto é, não nos abalarmos quando somos intencionalmente provocados e feridos.
2. Aceitar voluntariamente o sofrimento para si: se alguém demonstra ter raiva de você, você não deve responder com raiva; ou, se alguém o machuca ou insulta, você não deve revidar, mas sim compreender que a outra pessoa não teve controle sobre suas emoções.
3. Ser capaz de suportar os sofrimentos próprios do desenvolvimento espiritual.
Inicialmente, poderíamos avaliar estes tipos de paciência como um estado de covardia ou de submissão aparentemente masoquista.
Se, ao não reagirmos diante de uma provocação, estivermos apenas tentando conter nossa raiva e não buscando transformá-la, acabaremos por implodir e nos tornaremos rancorosos.
Enquanto o autocontrole excessivo nega nossas necessidades internas, o autocontrole saudável não reprime os sentimentos: lida diretamente com eles.
Lama Gangchen notou que para nós, ocidentais, a palavra paciência está contaminada por um sentimento de suportar uma dificuldade, ao invés de estar associada à intenção de nos libertarmos dela.
Então, ele sugere que troquemos a palavra paciência por espaço. Na próxima vez que você pensar: “Preciso de paciência com fulano”, diga para si mesmo: “Preciso criar espaço entre mim e fulano”. Não se trata de se distanciar de alguém, como numa fuga, mas sim de recuperar sua autonomia emocional.
Autocontrole advém do autoconhecimento. Uma vez que soubermos reconhecer nossos limites, seremos capazes de não perder o controle simplesmente por respeitá-los. Saberemos o momento certo de parar quando não temermos mais nos sentir impotentes diante dos fatos, pois, ao reconhecer nossos limites, aprendemos que “dar murro em ponta de faca” irá nos ferir ainda mais.
Isto não quer dizer que iremos nos tornar covardes.
Ao contrário, por meio da paciência, conseguimos desenvolver uma auto-imagem capaz de confiar na capacidade de seguir em frente de forma segura e contínua, sem precisar lutar contra o mundo.
A possibilidade de cultivar a paciência advém da força de ir além da negatividade, ao invés de interagir com ela. Para saber se estamos praticando verdadeiramente a paciência, podemos observar o quanto nossas palavras e comportamentos têm ferido os outros. Do mesmo modo, estaremos nos machucando menos se respeitarmos a necessidade natural de ter tempo e espaço para estar com nossas emoções, sejam elas positivas ou negativas.

Quarta-feira, Junho 29, 2005

O medo de amar.......

Um dos medos mais comuns que acomete os seres humanos nos dias que correm é o medo de amar.

As dificuldades emocionais, os relacionamentos frustrados e as decepções solidificam a crença de que a felicidade amorosa não está ao nosso alcance.

A realidade atual nos mostra também, principalmente entre as pessoas mais jovens, uma ânsia pelo prazer imediato, onde objetos e pessoas se tornam igualmente descartáveis, caso não satisfaçam de pronto as expectativas, na maioria irreais, que colocam num relacionamento.

Apaixonar-se é, de fato, uma aventura cheia de riscos, semelhante ao exercício de caminhar numa montanhosa íngreme, com os olhos vendados. Não há nenhuma garantia de que sairemos ilesos, sem qualquer arranhão. Portanto, precisamos de toda a atenção e cuidado de que formos capazes. Entretanto, se o medo for muito grande, ficaremos impossibilitados de dar sequer um passo. Encontrar o equilíbrio entre o desejo de vencer o desafio e o medo de fazê-lo é o segredo da vitória.

A possibilidade de um amor dar certo é, a princípio, tão viável quanto de que ele nos frustre. Para nos prevenirmos das decepções é fundamental que estejamos atentos aos sinais sutis que emanam do outro desde o princípio.

Para tanto, precisamos manter os pés firmes no chão e não deixar que nossa ânsia por um relacionamento nos torne incapazes de seguir o sexto sentido, a intuição, aquela sensação interior de perigo que, na maioria das vezes, fazemos questão de ignorar.

Quando a realidade se impõe e a desilusão acontece, tornamo-nos vítimas do medo e passamos a evitar qualquer possibilidade de entregarmo-nos novamente ao amor.

Porém, como tudo na vida, o relacionamento amoroso é um longo aprendizado que exige persistência, paciência e, acima de tudo, a confiança em nosso talento e capacidade de amadurecer a habilidade de amar.

“Quando o amor vos chamar, segui-o,

Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;

E quando ele vos envolver com as suas asas, cedei-lhe,

Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;

E quando ele vos falar, acreditai nele,

Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim....

E da mesma forma que ele sobe à vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,

Assim também desce até vossas raízes e as sacode no seu apego à terra,

Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração,

Ele vos debulha para libertar-vos das palhas,

Ele vos mói até a extrema brancura,

Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis,

...Todas essas coisas, o amor operará em vós para que conheçais os segredos de vossos corações e, com esse conhecimento, vos convertais no pão místico do banquete divino....

O amor nada dá senão de si próprio e nada recebe senão de si próprio,

O amor não possui e não se deixa possuir,

Pois o amor basta-se a si mesmo,

... E não imagineis que possais dirigir o curso do amor, pois o amor, se vos achar dignos, determinará ele próprio o vosso curso”.

Gibran Khalil Gibran – do livro “O Profeta”.


Agatha, a gata mais anti-social que já existiu no mundo, um verdadeiro enfeite. Posted by Hello

Sábado, Maio 14, 2005

Sobre querer mentir ............ querer trair

Sempre que me perguntam sobre fidelidade, inevitavelmente surge aquele velho argumento: “mas por que eu seria fiel se nada me garante que o outro não está me traindo?” ou então "antes eu do que ele"...
Essa é, sem dúvida, uma grande verdade. Jamais teremos certeza e nada pode nos garantir que a outra pessoa não vai nos trair, que ela está sendo fiel. E isso me faz lembrar de uma história:
“Todas as manhãs, a caminho do trabalho, João e seu amigo passavam pela banca de jornal do seu Joaquim. Ao pagar pelo seu jornal, João sempre agradecia com um sorriso nos lábios e desejava ao Sr. Joaquim um bom dia!
Como resposta, recebia sempre o mesmo silêncio e a mesma carranca.
Certo dia, seu amigo lhe perguntou:
- João, por que você insiste em desejar bom dia ao seu Joaquim e tratá-lo de forma tão amável se ele é sempre grosseiro e sem educação?
E então, sabiamente, João lhe respondeu: - "Simplesmente porque não quero que ele decida como eu devo agir!”
Creio que essa seja a melhor e mais sábia justificativa para a fidelidade.
Ser fiel é uma escolha pessoal; não pode depender da atitude e da escolha do outro. Ou você é, ou você não é!
Obviamente, levando em conta que ninguém é perfeito e que todos nós estamos sujeitos aos equívocos, podemos “escorregar”. Mas o que defendo aqui é a postura de cada um. O que você considera certo e errado? O que é característica sua e o que não é?
Considero como verdade absoluta a seguinte assertiva:
“Não faça ao outro o que você não gostaria que fizessem a você”.
Creio que raríssimas pessoas diriam que não se importariam se fossem traídas. Assim sendo, não consigo entender porque tantas pessoas insistem em trair...
Talvez, o fato não deveria ser encarado a partir da atitude: trair ou não trair; nem tampouco a partir da vítima: ser ou não ser traído. O fato deve ser encarado a partir de quem o praticou. Isto é: você é ou não é um traidor?!?
Pode ser que a questão colocada desta maneira pareça acusadora demais, no entanto, acredito que por trás dela exista um sentimento mais profundo e importante que deveria ser levado em conta: a compaixão.
Compaixão é um sentimento em extinção.
Significa ser capaz de colocar-se no lugar do outro e conseguir sentir a dor que ele sente. Se pudéssemos fazer isso sempre, aposto que as atrocidades da vida diminuiriam consideravelmente. Especialmente a traição.
Considero traição tudo aquilo que é combinado entre duas pessoas e uma delas não cumpre. Ou seja, se você, no seu relacionamento, assume a postura de estar só com aquela pessoa, supõe-se que você se sinta capaz de cumprir esse acordo.
Caso contrário, deveria ser sincero o bastante para admitir que quer ficar com outras pessoas toda vez que sentir esse desejo, assumindo o risco de “perder” a pessoa que gosta.
De qualquer maneira, independentemente de qual seja a sua escolha, o fato é que a verdade é sinônimo de fidelidade. Se a sua verdade vai ser aceita ou não, essa é uma outra questão com a qual você terá de lidar.
Mas ser fiel é, acima de tudo, assumir somente os compromissos que se julga capaz de cumprir. E caso não consiga, independentemente dos seus motivos, o mais correto é não enganar e não mentir, ou melhor, ser sincero e contar ao outro que você quebrou o acordo.
Saber lidar com as conseqüências de seus atos pode demonstrar uma grandeza admirável, uma coragem que poucas pessoas têm. Além disso, ser “absolvido” diante da confissão é bem mais fácil do que ser perdoado diante da mentira e da tentativa de ludibriar a pessoa com quem está.
Enfim, caio novamente numa frase que escrevo sempre: a vida é feita de escolhas!
Imagine que a vida fosse um grande e requintado cardápio, repleto de deliciosas opções. Todos nós, apreciadores do prazer, podemos ficar em dúvida e titubear antes de fazer o pedido. No entanto, teremos de fazê-lo, abrindo mão das demais opções, se quisermos desfrutar o sabor.
Quando vejo pessoas se dizendo fiéis, mas traindo a pessoa, imagino-as como se estivessem num belo restaurante, com o prato que escolheram diante de si, mas que de tempo em tempo, levantam-se da mesa pedindo licença para irem até o toalete e, enganando a si mesmas, correm até a cozinha se escondendo para não serem vistas e roubam colheradas de outros pratos, engolindo rapidamente e voltando correndo para seus lugares.
Resultado: não saboreiam nem o que está à sua frente e nem o que está na cozinha. Perdem o sabor peculiar de sua escolha e não sabem aproveitar de cada opção o melhor que poderiam!
Perdem a oportunidade maravilhosa de degustar o indescritível sabor do amor, porque não sabem que esse prato pede sensibilidade e entrega para ser apreciado de verdade......
E quando chega a conta, pagam caro e certamente continuam com fome!

Quinta-feira, Maio 12, 2005

Eu tenho um coração......

Coração??!!??

Sim, sim, eu tenho um. Acreditem!

É verdade!

Descobriram que eu tenho um coração.

E não, eu não estou louca e sei o que estou escrevendo. Recebi um e-mail de um ex (o número 1). Era pra ser uma reconciliação, um retorno a nossa amizade (sei sei sei!!!).

Teria sido um e-mail perfeito se não fosse pela frase: "Sei o quanto vc é uma pessoa boa e lá no fundo tens um enorme coração".

Nossa, fiquei muito emocionada. O que eu poderia fazer? Rir? Chorar? Me atirar na frente do primeiro caminhão carregado de cimento que aparecesse? Agradecer ao fulano (o nome nem merece ser colocado) por me lembrar que eu tenho um coração?

Logo eu que, muitas vezes, nem sei porque tenho um cérebro se nunca o uso para as coisas mais importantes. Eu, que sofro ou me alegro por coisas que a "só" a minha razão não daria a menor importância, tenho que ler uma coisa dessas. Sim Verme, eu estou grata pela sua grande observação, mas só por descargo de consciência, gostaria de salientar que eu já sabia disso e se não usei meu ENORME coração com você foi por sua culpa.

Você já tinha o machucado demais para que ele pudesse reagir, então meu ATROFIADO cérebro foi obrigado a entrar em ação. Pena que demorei tanto para usá-lo com você, senão, você já teria ido pastar faz tempo.

Louca para ser normal.

As pessoas ficam me dizendo que sou louca, que não sou normal.

Ora, é óbvio, que quem é louca não pode ser normal. Mas, "quem é genial nunca é descrito como normal", já dizia a Rita Lee. O negócio é que eu estou cheia de ter que ficar me comportando com normalidade. Cheia dessa sociedade hipócrita, cheia de preconceitos e frescuras, que faz a gente desempenhar um papel o tempo todo.

A linha que separa a minha loucura e a minha normalidade é tão tênue que a ultrapasso sempre.

Quando acho que estou agindo como uma pessoa normal, eu estou sendo louca e, quando penso estar fazendo uma loucura qualquer, eu estou sendo normal. E, sabe o que é o melhor, eu nem me dou mais conta disso.

Eu não sei me difinir, já disse isso, e nem sei se quero.

Definição é pra pessoas que procuram a aceitação dos outros.

"Eu sou assim, portanto, me aceite do meu jeito".

Eu, como sou cheia de jeitos e totalmente bipolar, experimento muitas maneiras de ser e adoro isso. Tudo bem, às vezes, eu surto e, às vezes, enlouqueço quem convive comigo.

Sei as coisas que gosto, que não gosto, que me alegram e que me fazem sofrer. Hoje, pelo menos, eu sei de tudo isso.

Amanhã, talvez eu mude de idéia, vai saber.


Eu e o Ale no Dya e Noche Posted by Hello

Culpa de uma noite sem sono...


O Savio, conheço tem uma era da internet, o nick dele era algo "só tem mulher feia no mirc", e foi por causa desse nome que a gente se conheceu, eu implicava com ele, e ele comigo, coisa do além. Hoje comentei que estava apaixonada, ele, como a maioria, não acreditou (tudo bem, já superei isso), meus amigos vivem brincando e dizendo que eu nunca vou gostar realmente de ninguém (Né Leandro), que tudo é uma fase e vai logo passar, ou que ninguém vai me aguentar (essa eu acho a melhor).
Nada que me magoe, mas algo que me faz pensar: ando exigindo demais? Dando de menos (sem maldade). Não tenho resquícios do mito do príncipe encantado?
Vejamos: O que eu quero de um homem?
Ele pode ser mais alto ou do meu tamanho, mais baixo só se me deixar usar sapatos de salto (e tem que entender meu amor pelos sapatos).
Seus olhos podem ser de qualquer cor e seus cabelos também. Se usar óculos, terno e gravata, melhor ainda. Se não, não faz tanta diferença. Ele tem que trabalhar e ter sonhos.
Não sei mais precisa casar, ou ter filhos. Não sei se quero mais filhos também, as vezes eu quero, as vezes não, confuso isso. Tem que entender que meu trabalho não tem horário e que eu gosto de dormir tarde e acordar mais tarde ainda. Descobri que gosto mesmo de dormir.
Quero um homem que goste de viajar. Que goste da terra, do mar, do céu. Que goste de ler, de ir ao cinema, de ficar em casa sem fazer nada.
Que entenda meu mau-humor matinal, que dura até eu tomar banho e escovar os dentes.
Um homem mais velho que eu, mas que não pense que já sabe tudo sobre a vida e o mundo.
Que tenha dúvidas, medos, inseguranças, para que eu possa estar ao seu lado quando ele precisar.
Quanto menos gírias falar, melhor. Uma gíria que eu odeio? "VEI e BICHO".
Não precisa usar perfume (já uso perfume masculino mesmo), mas que tenha cheiro de sabonete.
Que goste de vinho nas noites frias e cerveja nas noites quentes (quer dizer, comigo, tem que gostar de cerveja a qualquer hora, ou aceitar meu amor por ela). Um homem que tenha uma vida própria. Que tenha o futebol com os amigos, o happy-hour depois do trabalho, mas que tenha tempo para mim.
Para me abraçar, para me fazer rir. Ah! Tem que me fazer rir, rir muito. E entender que tenho um elevado senso de humor deveras irônico, claro que não quero um palhaço, quero que tenha "apenas" senso de humor. Fui clara, senso de humor, humor, senso, sendo de humor, chega né!!!! Já deu para entender.
Quero um homem que não dance em festas feito um idiota, que saiba qual é seu estilo e não mude ele para agradar. Que não tire de gostosão pra cima das minhas amigas, por que amigas falam. Que não me faça sentir vergonha, eu já faço isso sozinha, caindo, quebrando coisas, atropelando pessoas. Que tenha seu gosto particular para música, mas que NUNCA grite numa festa: "Toca Raul". Morte súbita.
Um homem que entenda minha TPM (que é devastadora) e meu silêncio e lágrimas nesses dias. Também gosto muito de lamentar, mas é um ato infantil para chamar a atenção para que surja a oportunidade de fazer beicinho.
Não precisa entender tudo sobre mim, mas que respeite esse meu jeito particular de lidar com as coisas.
Um homem que no meio de uma briga nunca vire às costas para mim. Nunca diga "amanhã a gente resolve".
Não, eu não sou assim.
Grite comigo até cansar ou até a gente começar a rir, mas não me deixe dormir magoada.
Um homem que me deixe deitar no seu colo. Que passe a mão no meu cabelo e que abaixe o volume da TV quando eu dormir. Que me leve pra cama e que entenda que quando o despertador tocar, não quer dizer que eu vá levantar, por isso, nunca abra a janela e nem tire as minhas cobertas.
Quero um homem que me olhe como se não existisse mais ninguém no mundo como eu. Mas, que esse olhar não surja apenas quando eu estiver arrumada, pronta para sair e, sim, quando eu estiver acordando, toda descabelada. (Essa é a prova maior, tipo a excalibur da insegurança feminina). Um homem que leia o que eu escrevo e consiga ver nas linhas a minha alma e a minha essência.
Que consiga ver a minha sensibilidade, por mais que, muitas vezes, nem eu veja isso.
Precisa acreditar que eu tenho algum talento, muito mais do que eu acredito.
Precisa ver no que eu escrevo aquilo que eu sou, por mais que as palavras que eu use sejam duras demais.
Precisa me elogiar, porque as críticas eu mesma as faço, e eu sou muito boa com críticas.
Que veja meus defeitos, mas não tente consertá-los.
Por que todos somos como um pacote. Você leva as qualidades e os defeitos também.
Não tente me mudar, porque as pessoas não mudam e só se magoam quando alguém tenta muda-los.
Que me ache corajosa por me expor tanto em meia dúzia de palavras. Me admire, me ame, me conquiste. Um homem que seja ele mesmo, mas que torne-se único para mim.
Exigente demais?
Bom, resumindo então tudo que escrevi: que me ame, que me respeite e que dure nos meus porta-retratos.
Dure ............ é isso.
Mas .................................. isso é muito surreal?

Terça-feira, Maio 10, 2005

Crônicas de uma acomodada

Uma vez li que a medida que o tempo passa vamos ficando acomodados. Não acredito. Nós já nascemos acomodados. Ninguém gosta de mudanças. Ninguém gosta de largar as coisas que gosta ou as coisas habituais e ir morar no Taiti, viver numa cabana e dormir numa rede. (Será?!!!!). E é muito bom ficar acomodado em plena terça-feira.

Aqui em Brasília inventaram um feriado maluco por causa dos Arabes. Hoje tive uma noção absurda que gosto muito dos arabes. Eles são pessoas legais pois surgem do nada na cidade das pessoas, paralizam o transito, obrigam o presidente a dar um feriado sem muita justificativa e deixa a gente sem aula. Povo legal esse.

Resumindo, como dormi no Ricardo ontem (a rotatividade agora anda justa) ele dormiu aqui hoje, e feriado serve mesmo para nos enfiarmo em baixo de cobertores cheios de chocolates e cigarrinhos gostosos e uma boa dose de filmes de locadora. Uma verdadeira delicia de dia. Mas voltando a pauta de hoje, ser ou não acomodado, e já que eu estava falando de mudanças, por mais que a idéia seja boa, na hora de executá-la... Ah! é nessa hora que trememos nas bases e percebemos que não somos tão corajosos como pensamos ser.

Mudar é difícil.

E mesmo que as coisas sejam ruins é difícil desvincilhar-se delas. Só que o mundo não é feito somente de merda e, quando não fazemos nada para melhorar aquilo que nos incomoda, quando fazemos da nossa acomodação uma proteção contra o desconhecido, quando isso acontece, todos saem perdendo.

Na hora da mudança, pensamos em tudo. Menos no que realmente queremos. Pensamos na família, nos amigos e até no papagaio. Pensamos na saudade que sentiremos, nas coisas que deixaremos para trás. E, principalmente, pensamos no novo, no desconhecido. Esse monstro que nos assusta.

Acredito (HOJE!!!) que mudanças fazem parte de nós. Quando não as fazemos, a vida, às vezes, nos obriga. E sofremos apenas quando não as aceitamos. E o pior é que raramente aceitamos. Meu plano era me engajar numa ONG e viajar o mundo com uma mochila nas costas. O problema é que tenho que cuidar da minha filha, pintar o cabelo e não tenho uma mochila.

Durante anos as mulheres tem lutado por seu espaço, queimaram seus sutiãs, mostraram o peito. Não o peito do corpo (algumas até mostraram mesmo). O peito da alma.
E o que aconteceu?
Pouco. Ainda ganhamos menos que os homens, ainda somos criadas para construir uma família e cuidar da casa, a sociedade ainda se choca quando uma mulher diz que não sabe e não quer aprender a cozinhar (ainda bem, só assim a concorrência diminue né!!!)
Não. Ainda não somos quem realmente queremos ser. ou quem merecemos ser. Por detrás de tudo o que fizemos há mulheres com medo de serem julgadas, com medo de serem expostas, com medo de ficarem vulneráveis. Se sujeitam a papéis submissos, a homens que não as merecem, porque no fundo, morrem de medo de ficarem solteiras o resto da vida.
Imagine o que iriam dizer se eu fosse uma mulher bem sucedida, com uma carreira a todo vapor e não fosse casada? E aí estamos nós, sofrendo a falta de alguém com apenas 20 anos e toda uma vida pela frente. Aí estamos nós, enchendo o corpo de silicone, vestindo roupas curtas e muita maquiagem. Aí estamos nós, trabalhando em grandes empresas e chorando em casa porque não podemos sair com a turma do trabalho, somos solteiras. E imagina resolver viver a vida livre, leve e solta? Se depender da TV nós vamos pagar caro por isso, quem sabe até com uma doença grave. Feministas que lutaram anos atrás, sinto lhes informar: Só mudaram os nossos espartilhos.

Tá demais ................ já diria o Battan


Humpfy!!! Posted by Hello

Domingo, Maio 08, 2005

Vulnerabilidade

Devo admitir que, num primeiro momento, a vulnerabilidade não parece algo bom de se cultivar como característica. Portanto, tornar-se vulnerável não é, aparentemente, um convite atraente.
Certamente, é exatamente essa sensação que muitos de nós tentam evitar a qualquer custo, seja nos defendendo nas relações que estabelecemos ao longo da vida, seja não nos permitindo vivenciar nossa afetividade. Mas estou eu aqui, agora, me sentindo vulnerável e inspirada o suficiente para fazer esse convite e justificá-lo...
Se considerarmos que você não está vulnerável, podemos acreditar que você está protegido – o que não é, nem de longe, o mesmo que sentir-se seguro, autoconfiante ou bem-resolvido consigo mesmo!
Costumamos nos proteger quando o "sentimentos" que sentimos começa a se tornar profundo. Uma vez mergulhado na profundidade de seu coração, muitos sentimentos difíceis começam a borbulhar e emergir em sua mente e em sua alma, fazendo com que você se sinta desprotegido, ameaçado...
Diante dessas sensações, podemos reagir de duas maneiras diferentes: ou nos entregamos à vulnerabilidade e, assim, nos permitimos aprender com o medo, com a insegurança, com o receio da traição, do abandono e da rejeição... E, inevitavelmente, poderemos crescer e, de fato, nos tornarmos fortes para lidarmos com essas questões presentes em qualquer relação de amor... Ou, nos protegemos, lançamos mão de nossas armaduras e passamos a nos defender do outro, do amor, do relacionamento, da dor e das infinitas possibilidades de evolução.
Protegidos, podemos usar uma de três estratégias diferentes:
1) Acusamos o outro: nossas palavras, pensamentos e intenções culpam o outro por tudo o que estamos sentindo e não sabemos o que fazer. Criticamos as atitudes da pessoa de quem gostamos e acreditamos que o responsável por estarmos nos sentindo feridos, magoados e ameaçados é ela!
2) Fazemos chantagem emocional: choramos, nos deprimimos, ficamos até doentes e assumimos o papel de vítima para, com isso, conseguirmos “manipular” o outro a fim de que ele mude seu jeito de ser – o que, para nós, é a causa de todo nosso sofrimento.
3) Ficamos indiferentes: fingimos que nada que o outro faça é capaz de nos incomodar. Nada falamos, a nada reagimos e passamos a viver como se o outro não existisse. A cada pergunta do tipo “o que você tem?”, respondemos com a maior cara de sonso: “nada, por que?”. Tentamos enganar a nós mesmos, nos magoando e magoando o outro, como forma de vingança!
Nenhuma das três estratégias pode nos fazer evoluir, crescer ou enriquecer o relacionamento. Nenhuma das três escolhas pode fazer com que a relação ou a gente mesmo fique melhor. Só podemos transmutar esses sentimentos QUE TODO MUNDO TEM(!!!) se nos tornarmos vulneráveis.
Vai doer, não vai ser fácil, mas depois de uma conversa sem acusações, depois de uma auto-análise, que nos permite ver o quanto esses sentimentos estão dentro da gente e não no outro, podemos atingir um patamar acima na escala do amor e nos sentir genuinamente integrados com a pessoa que amamos.
Convido você a um exercício: toda vez que se sentir magoado, irritado, ofendido, abandonado, inseguro ou desrespeitado, antes de acusar o outro, colocar-se no papel de vítima ou ficar indiferente, pare um instante e se pergunte: “do que é que eu estou com medo?”.
As respostas estarão relacionadas com a sua história de vida, com o seu passado, com as suas feridas...
Porque você não quer ser contrariado?
Porque sua auto-estima está baixa e você tem medo de ser trocado? Porque você é carente e quer que o outro acabe com este problema?
Seja qual for a sua resposta, acolha-se e conte para o outro, expondo seus sentimentos mais profundos, assumindo a sua responsabilidade pelos seus próprios medos. E, assim, muito provavelmente ele vai se sentir com um desejo imenso de ficar ao seu lado, de contribuir para que você não se sinta tão mal, com tanto medo!
Porque todos nós, indefinidamente, preferimos ser companheiros do que culpados; preferimos ser parceiros de uma situação difícil do que agredidos por algo que está incomodando o outro!
Arrisque e certifique-se dos resultados, e fique feliz. Assim, como eu estou feliz!